janeiro 14, 2006

GENTE / Presidenciais 2006

Almas seguras. Já se sabe que Manuel Alegre recusou o serviço de segurança da PSP a que os candidatos presidenciais têm direito durante a campanha eleitoral. Também se sabe que essa recusa foi justificada na sua comitiva com o receio de eventuais actos de espionagem, dado que os polícias destacados para acompanhar os candidatos têm de enviar relatórios para o Ministério da Administração Interna. Tudo ponderado, Alegre optou por utilizar os serviços de dois seguranças privados disponibilizados por um seu apoiante. Mas GENTE não ficou convencida com as razões de Alegre. E bastou o comício-espectáculo no Teatro Gil Vicente, em Coimbra, no início da semana, para tudo ficar esclarecido. É que estes seguranças são polivalentes - e foi vê-los a proteger as costas do candidato enquanto batiam palmas... alegremente!


Alguém de jeito! Como vai sendo hábito nas campanhas dos candidatos presidenciais que as sondagens mostram estar em desvantagem, também na de Mário Soares os jornalistas têm servido de saco de boxe. Os ataques à comunicação social são uma constante, com o candidato apoiado pelo PS a queixar-se da falta de isenção dos jornalistas que acompanham a sua volta pelo país. Até à tarde da passada terça-feira, em Tomar, altura em que Soares rejubilou com um jornalista. Foi quando viu chegar à comitiva Adelino Gomes, grande repórter do «Público», um veterano do jornalismo que muitas vezes fez a cobertura de eventos soaristas e que o ex-Presidente condecorou num 10 de Junho. Soares não conteve o desabafo: «Finalmente mandam alguém de jeito!» Uma questão geracional?

Louçã com Garcia: À reconhecida aptidão oratória do candidato Garcia Pereira acrescente-se, agora, a sua capacidade persuasiva. O advogado, apesar de afastado dos debates televisivos e de não aspirar à cadeira de Presidente da República, vai fazendo mossa no eleitorado, que, naturalmente, seria reivindicado por outras candidaturas mais ambiciosas. É o caso de José Louçã, isso mesmo, o primo do Francisco, o candidato bloquista. Quem o quiser conhecer só precisa de visitar a sede de campanha de Garcia Pereira, na Av. João XXI, em Lisboa, onde ele se desdobra a organizar a campanha de um dos adversários do primo. Poder-se-ia pensar em golpe de espionagem, mas José desmente categoricamente. Apesar do apelido, está de corpo e alma com Garcia Pereira.

Esquerda Caviar. Está encontrada a origem da designação «Esquerda Caviar», habitualmente colada, em Portugal, aos militantes do Bloco de Esquerda. No final do ano, Zinedine Zidane e Ronaldo, dois notabilíssimos futebolistas, organizaram um jogo de futebol a favor de uma causa nobre, a luta contra a pobreza. «Nobre e de esquerda», diria com toda a certeza Francisco Louçã. Daí que não seria nada estranho ver associado a esta iniciativa o símbolo do Bloco de Esquerda ainda que nos guardanapos apostos nas mesas onde se serviu o repasto após o jogo. Só a perspicácia do repórter de GENTE permitiu perceber que não se tratava de propaganda bloquista, mas antes publicidade à empresa de «catering» norte-americana Aramark, que serviu o jantar. Felizmente, a designação foi inspirada numa altura em que o esturjão ainda não era uma espécie em extinção. Se assim fosse, tentem imaginar uma designação tipo «esquerda sapateira»...

Preocupações comunistas. Logo a 3 de Janeiro, dois deputados do PCP - o líder parlamentar, Bernardino Soares, e o novel Miguel Tiago (sim, Miguel...) - apresentaram um requerimento ao Governo através do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Estão os deputados, e o seu partido, preocupados com a «tentativa de ilegalização da União Comunista da Juventude pelo Governo da República Checa». Querem saber se o Executivo português tem conhecimento de tal «tentativa de ilegalização» e «que posição tomou ou pretende tomar, quer na União Europeia, quer junto do Governo da República Checa, no sentido de manifestar o repúdio do Estado português perante este grave atentado contra as liberdades e a democracia». GENTE não podia ter mais simpatia por tal preocupação, mas tem umas pequenas dúvidas a esclarecer: será que antes da queda do muro de Berlim os deputados comunistas também pediam a intervenção do nosso Governo por causa de organizações políticas proibidas na Checoslováquia? E no caso específico de Bernardino Soares, porque não vira a sua atenção para a Coreia do Norte? Ah, já nos esquecíamos, é uma democracia... [EXPRESSO]

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